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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Agosto/2013: Meditemos sobre as palavras do Papa Francisco na JMJ Rio2013

Caros responsáveis pela evangelização da juventude.
“Gracias a los Hermanos Obispos, a los sacerdotes, a los seminaristas, a las personas consagradas y a los fieles laicos que acompañan a los jóvenes [...]
en su peregrinación hacia Jesús.” (Papa Francisco)

Quantas graças recebidas pelas palavras, pelos testemunhos, pela convivência daqueles que participaram, física ou virtualmente, da JMJ Rio 2013! A voz de nosso Pastor, o Papa Francisco, ele, também, peregrino, ainda ressoa em nossos corações desejando que o acolhamos na efetivação de nossos trabalhos a favor dos jovens. Quanta riqueza em uma semana! Recordemos, saboreando-as, as palavras de quem falou com os olhos, com o coração, com o sorriso, com as mãos abençoadas.
No dia 22 de julho, horas antes de chegar em nosso país, durante o voo ao Brasil, Papa Francisco disse aos jornalistas: “… quando isolamos os jovens, praticamos uma injustiça: despojamo-los da sua pertença. Os jovens têm uma pertença: pertença a uma família, a uma pátria, a uma cultura, a uma fé… Eles têm uma pertença, e não devemos isolá-los! Sobretudo não devemos isolá-los inteiramente da sociedade! Eles são verdadeiramente o futuro de um povo! Isto é verdade; mas não o são somente eles: eles são o futuro, porque têm a força, são jovens, continuarão para diante. Mas também, no outro extremo da vida, os idosos são o futuro de um povo.”
Assim que chegou, na Cerimônia de Boas-Vindas, ele nos chamou a atenção para considerarmos o valor que o jovem tem em nosso meio:
 “Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade.Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.”
“… ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.”
“Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente?”
“A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo. É a janela e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço. Isso significa: tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos. Com essas atitudes precedemos hoje o futuro que entra pela janela dos jovens.”
No dia 24, aos pés da Mãe Aparecida, em seu Santuário Nacional, o Papa suplicou pela nossa responsabilidade de educadores e evangelizadores de jovens: “Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno.”
“Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo.”
Na tarde do mesmo dia, no Hospital São Francisco de Assis, o Papa pediu-nos maior atenção na luta contra o mundo das drogas e nos gestos de solidariedade diante dos atingidos por elas:“A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro. Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afeto e amor.”
Na Comunidade de Varginha, no dia 25, nosso Pastor recordou que há valores que deverão ser sempre defendidos para a vida da juventude:“Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano.”
Na noite do mesmo dia, na Festa da Acolhida, o Papa Francisco nos diz: “«Bote fé». A cruz da Jornada Mundial da Juventude peregrinou através do Brasil inteiro com este apelo. «Bote fé»: o que significa? Quando se prepara um bom prato e vê que falta o sal, você então “bota” o sal; falta o azeite, então «bota» o azeite… «Botar», ou seja, colocar, derramar. É assim também na nossa vida, queridos jovens: se queremos que ela tenha realmente sentido e plenitude, como vocês mesmos desejam e merecem, digo a cada um e a cada uma de vocês: «bote fé» e a vida terá um sabor novo, a vida terá uma bússola que indica a direção; «bote esperança» e todos os seus dias serão iluminados e o seu horizonte já não será escuro, mas luminoso; «bote amor» e a sua existência será como uma casa construída sobre a rocha, o seu caminho será alegre, porque encontrará muitos amigos que caminham com você. «Bote fé», «bote esperança», «bote amor»!”
Mais uma vez o tema da família é ressaltado pelo Papa ao recordar, no Angelus do dia 26, a figura dos pais de Nossa Senhora:“São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu a fé e o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós. Vemos aqui o valor precioso da famíliacomo lugar privilegiado para transmitir a fé!”
Na Via-Sacra à noite, o Papa nos falou da presença de Jesus nas cruzes dos jovens: “… Na Cruz, Jesus está junto a tantos jovens que perderam a confiança em instituições políticas porque veem o egoísmo e a corrupção, ou que perderam sua fé na Igreja e inclusive em Deus pela incoerência dos cristãos e dos ministros do Evangelho. Quanto nossas incoerências fazem Cristo sofrer.”
A entrevista do Papa com o Jornalista Gerson Camarotti, no dia 29, destacou pontos importantes para nosso trabalho junto aos jovens:
 “… um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo. Menos experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! Isso é algo comum a todos os jovens. Então eu diria que, de uma forma geral, é preciso ouvir os jovens, dar lugares de se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados. Porque há tanta exploração de pessoas -  trabalho escravo, por exemplo – há tantos tipos de exploração… Eu me atreveria a dizer uma coisa, sem ofender. Há pessoas que buscam a exploração de jovens. Manipulando essa ilusão, esse inconformismo que existe. E depois arruínam a vida dos jovens. Portanto, cuidado com a manipulação dos jovens. Temos sempre que ouvi-los. Cuidado. Na família, um pai, uma mãe que não escutam o filho jovem, o isolam, geram tristeza na alma dele. E não experimentam uma troca enriquecedora. Sempre há riqueza. Evidentemente, com inexperiência. Mas é preciso ouvi-los. E defendê-los de manipulações diversas – ideológica, sociológica. O caminho é ouvir, dar-lhes voz.”
“(Quanto às atuais Manifestações) O que está acontecendo com os jovens no Brasil não sei. Mas, por favor, que não os manipulem, que os escutem, porque  esse é um fenômeno mundial, que vai muito além do Brasil.”
“Creio que é preciso estimular uma cultura do encontro, em todo o mundo. No mundo todo. De modo que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade os valores éticos de que a humanidade necessita. E defender esta realidade humana. Nesse aspecto, acho que é importante que todos trabalhemos pelos outros, podar o egoísmo. Um trabalho pelos outros segundo os valores da sua fé. Cada religião tem suas crenças. Mas, dentro dos valores de sua própria fé, trabalhar pelo próximo. E nos encontrarmos todos para trabalhar pelos outros.” (cf.http://g1.globo.com/platb/blog-do-camarotti/2013/07/29/leia-a-entrevista-exclusiva-do-papa-francisco/)
Ao celebrar a Missa na manhã do dia 27, na Catedral, o Papa deixou seu precioso recado aos Bispos, Sacerdotes, Religiosos, Seminaristas:
 “… queremos anunciar o Evangelho a nossos jovens para que encontrem a Cristo e se convertam em construtores de um mundo mais fraterno.”
“Chamados a anunciar o Evangelho. Muitos de vocês, queridos bispos e sacerdotes, talvez todos, vieram para acompanhar os jovens à Jornada Mundial da Juventude. Também eles escutaram as palavras do mandato de Jesus: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (cf. Mt 28,19).Nosso compromisso de pastores é ajudá-los a que arda em seu coração o desejo de ser discípulos missionários de Cristo. Certamente, muitos poderiam sentir-se um pouco assustados diante desse convite, pensando que ser missionários significa necessariamente abandonar o país, a família e os amigos. Deus quer que sejamos missionários. Onde estamos? Onde Ele nos põe: em nossa pátria, ou onde ele nos ponha. Ajudemos os jovens a dar-se conta que ser discípulos missionários é uma consequência de ser batizados, é parte essencial de ser cristão, e que o primeiro lugar o de se deve evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família ou os amigos. Ajudemos os jovens. Ponhamos os ouvidos para escutar suas ilusões. Necessitam ser escutados. Para escutar seus êxitos, para escutar suas dificuldades, deve-se estar sentado, escutando talvez o mesmo livro, mas com música diferente, com identidades diferentes. A paciência de escutar! Isso peço de todo coração. No confessionário, na direção espiritual, no acompanhamento. Saibamos perder o tempo com eles. Semear custa e cansa, cansa muitíssimo! E é muito mais gratificante alegrar-se com a colheita… Que bom! Todos nos alegramos mais com a colheita! Mas Jesus nos pede que semeemos seriamente. Não meçamos esforços na formação dos jovens. São Paulo, dirigindo-se aos seus cristãos, utiliza uma expressão, que ele tornou realidade em sua vida. “Meus filhos, por vós sinto, de novo, as dores do parto, até Cristo ser formado em vós.” (Gl 4,19). Que também nós a façamos realidade em nosso ministério. Ajudar a nossos jovens a redescobrir o valor e a alegria da fé, a alegria de ser amados pessoalmente por Deus. Isso é muito difícil, mas quando um jovem entende, quando sente com a unção que o Espírito Santo lhe dá, esse ser abençoado pessoalmente por Deus o acompanha por toda a vida. A alegria que deu a Seu Filho Jesus por nossa salvação. Educá-los na missão, a sair, a por-se em marcha, a estar sempre nas ruas pela fé. Assim fez Jesus com seus discípulos: não os manteve apegados a Ele como a galinha aos pintinhos; os enviou. Não podemos ficar enclausurados na paróquia, em nossa comunidade, em nossa instituição paroquial ou em nossa instituição diocesana quando tantas pessoas estão esperando o Evangelho. Sair, enviados. Não é um simples abrir a porta para que venham, para acolher, mas sair pela porta para buscar e encontrar. Empurremos os jovens para que saiam.Claro que eles vão meter os pés pelas mãos. Não tenhamos medo! Os apóstolos fizeram isso antes de nós. Empurremos eles para sair! Vamos com decisão na pastoral a partir da periferia, começando pelos que estão mais afastados, os que não costumam frequentar a paróquia. Eles são os convidados VIP. Nas encruzilhadas dos caminhos, vamos buscá-los.”

Aos dirigentes do Brasil, o Papa Francisco disse no dia 27: “Somos responsáveis pela formação de novas gerações, por ajudá-las a ser hábeis na economia e na política, e firmes nos valores éticos.”
“O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e a cultura tecnológica, a cultura econômica e a cultura da família, e a cultura da mídia.” 
Horas depois, disse aos Bispos do Brasil: “Nas ruas do Rio, jovens de todo o mundo e muitas outras multidões estão esperando por nós, necessitados de serem envolvidos pelo olhar misericordioso de Cristo Bom Pastor, que nós somos chamados a tornar presente.”
“… ambos constituem a esperança de um povo: os jovens, porque eles carregam a força, o sonho, a esperança do futuro, e os idosos, porque eles são a memória, a sabedoria de um povo.”
“Na missão, mesmo continental, é muito importante reforçar a família, que permanece célula essencial para a sociedade e para a Igreja; os jovens, que são o rosto futuro da Igreja; asmulheres, que têm um papel fundamental na transmissão da fé e constituem uma força quotidiana que faz evoluir uma sociedade e a renova.”
Em entrevista à Rádio da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no dia 27, nosso Pastor reforçou a urgência da solidariedade e do valor da família:
“Que todos trabalhemos por esta palavra que hoje em dia não é bem aceita: solidariedade. É uma palavra que procuram deixar de lado, sempre, porque incômoda. Todavia, é uma palavra que reflete os valores humanos e cristãos que hoje nos pedem para ir contra; da cultura do descartável, de que tudo é descartável.”
“Uma cultura que sempre deixa as pessoas de fora: deixa à margem as crianças, deixa à margem os jovens, deixa à margem os idosos, deixa fora aos que não servem, aos que não produzem, e isso não pode acontecer. Invés, a solidariedade, coloca todos dentro. Devem seguir trabalhando por esta cultura da solidariedade e pelo Evangelho”.
 “Não somente diria que a família é importante para a evangelização do novo mundo. A família é importante, é necessária para a sobrevivência da humanidade. Se não existe a família, a sobrevivência cultural da humanidade corre perigo. É a base, nos apeteça ou não: a família”.
Como o Papa, animemos os jovens a exercerem sua vocação de protagonistas de um mundo melhor (Cf. Vigília de Oração, 27/07/2013):
“Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua Igreja. Queridos jovens, o Senhor precisa de vocês! Ele também hoje chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja e ser missionário. Hoje, queridos jovens, o Senhor lhes chama!”
“Eu lhes pergunto: Querem construir a Igreja? Se animam uns aos outros a fazê-lo? [...] Somos parte da Igreja; mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história.Jovens, por favor, não se ponham na «cauda» da história. Sejam protagonistas. Joguem ao ataque! Chutem para diante, construam um mundo melhor, um mundo de irmãos, um mundo de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade. Jogai sempre ao ataque! São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5).
“O coração de vocês, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Acompanho as notícias do mundo e vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram pelas estradas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas estradas; são jovens que querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixem para outros o ser protagonistas da mudança! Vocês são aqueles que têm o futuro! Vocês… Através de vocês, entra o futuro no mundo. Também a vocês, eu peço para serem protagonistas desta mudança. Continuem a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor.”
Ao encerrar a JMJ, no domingo, o Papa recordou aos jovens a sua vocação missionária e exortou aos sacerdotes para acompanhá-los:
“Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).”
“Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente.”
“A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês!”
“Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Certamente isso lhes rejuvenesceu a todos. O jovem contagia-nos com a sua juventude. Mas esta é apenas uma etapa do caminho. Por favor, continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos! E aqui desejo agradecer cordialmente aos grupos de pastoral juvenil, aos movimentos e novas comunidades que acompanham os jovens na sua experiência de serem Igreja, tão criativos e tão audazes. Sigam em frente e não tenham medo!”
Precisamos auxiliar os jovens no seu discernimento vocacional. A vocação foi o principal tema abordado na tarde do dia 28 no encontro com os jovens voluntários da JMJ: “Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação é caminhar para a realização feliz de si mesmo. A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um. Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família através do sacramento do Matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está “fora de moda” [...]. Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes!”
Saibamos todos nós, com o mesmo carinho e atenção do nosso Papa, dizer com palavras, gestos e trabalhos: “Queridos jovens, Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês!”
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Julho/2013: Os contributos da JMJ à população brasileira

Brasília, 01 de julho de 2013.

CJ – Nº 0354/2013
Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
“ _ Ai, meu Senhor! Olha que não sei falar, pois sou jovem”.
“_ Não digas que és jovem: pois onde eu te enviar, irás; o que eu te mandar, dirás.
[...] Vê, eu ponho minhas palavras em tua boca. Hoje eu te estabeleço sobre povos e reis,
para arrancar e arrasar, destruir e demolir, edificar e plantar” (Jr 1, 6-7.10).

            Chegou o tão esperado Julho de 2013!
O palpitar do coração dos jovens envolvidos na dinâmica da JMJ se pode sentir por todos os cantos do país. Aos pés do Redentor eles depositarão os inúmeros frutos já colhidos nestes anos de preparação e expectativas. E ali, envolvidos pelo abraço do Cristo e entusiasmados com a convivência junto aos peregrinos do mundo inteiro, os jovens recolherão as graças especiais de Deus e as bonitas experiências de Igreja para oferecê-las as suas comunidades de origem.
O clima de festa e de fortalecimento da fé e dos grandes ideais que a Jornada garante aos que dela participam vêm para endossar a voz da juventude brasileira que nestes dias tem saído às ruas para recuperar a utopia de novos tempos para o Brasil. A JMJ se torna uma forte aliada dos saudáveis manifestos em prol da vida e dos valores universais. A luta pela justiça, pela paz, pela verdade, pela solidariedade, pela dignidade, pelos direitos fundamentais do ser humano ganha força com estes jovens peregrinos que acompanharão, pessoal ou virtualmente, a Jornada. É bênção de Deus para a vida de nosso povo!
A Igreja, defensora do ser humano por mandato de Jesus Cristo, carrega a missão de defender continuamente as grandes causas que garantem vida em abundância para todos. Ela reconhece os direitos dos jovens e o seu poder de transformação. O texto-base da Campanha da Fraternidade deste “Ano da Juventude” nos incentiva a este olhar positivo: “A juventude é o tempo propício à formação para a cidadania, porque os jovens tomam ciência de seus direitos e responsabilidades. Esse é um dos compromissos da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Nessa formação inclui-se, de modo particular, o incentivo e a ajuda aos nossos jovens a fim de que participem efetivamente e a partir da ética cristã dos espaços que lhes são oferecidos.[...] A Campanha da Fraternidade de 2013 conclama nossos jovens e, com eles, toda a Igreja, a contagiar com a alegria e a criatividade juvenis as estruturas sociais e eclesiais a fim de que estejam dispostas a cuidar melhor do jovem sofrido, abrindo-lhes os braços da caridade e as portas da inclusão” (CF 2013, n. 230-234). É urgente valorizar e dar ouvidos a esta juventude conectada que se destaca no cenário social e eclesial, mostrando a sua capacidade de mobilização para fazer valer seus anseios: “Os jovens que crescem na cultura midiática [...] querem viver em um mundo mais pacífico, mais tolerante e mais responsável. Por isso, estão se organizando, cada vez mais, por meio das redes sociais, para defender seus direitos, a natureza, a qualidade de vida das pessoas, e construir uma sociedade mais humana e solidária” (n. 48).
Além dos benefícios que cada jovem cidadão recebe em sua formação humano-cristã, a Jornada favorece a sociedade de diversos modos, inclusive com um significativo legado social e econômico. O país que acolhe uma Jornada Mundial da Juventude só tem a ganhar. Vejam, por exemplo, toda a movimentação nas dioceses por ocasião da Peregrinação dos Símbolos da JMJ! Ao atingir mais de dois milhões de jovens, este acontecimento proporcionou-lhes crescimento da sensibilidade, do senso crítico e coletivo, dos gestos de caridade e do sentido de corresponsabilidade cidadã diante das realidades de maior sofrimento humano. A criatividade e o protagonismo da juventude conduziram-na missionariamente às várias casas de detenção, aos lixões, aos ambientes de prostituição, às creches, aos hospitais, aos moradores de rua, aos drogados, às comunidades de recuperação dos dependentes químicos, às comunidades indígenas, etc. O impacto econômico também é positivo em tempo de Jornada. Pesquisas e relatórios referentes à JMJ de Madri em 2011 revelam-nos que a Espanha foi beneficiada com mais de 350 milhões de euros e com a geração de 5 mil postos de trabalho. Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT) os turistas jovens gastam mais e registram uma maior probabilidade de retornarem ao país visitado do que os adultos. Isto tudo nos dá segurança em afirmar que a Jornada só traz benefícios, tanto para a pessoa que dela participa quanto para a Igreja e a sociedade que a acolhem. Ela é uma providencial ocasião para que mais jovens, inclusive de outros países, celebrando juntos os mesmos ideais, fortaleçam sua vocação cristã e reconheçam sua essencial responsabilidade na construção do Reino de Deus.
A JMJ Rio 2013, antes mesmo de acontecer, já divulga alguns de seus inúmeros contributos à população brasileira, principalmente aos cariocas. O site oficial www.rio2013.com tem nos alegrado com informações a este respeito: parceria com a ONG internacional WWF (World Wide Fund for Nature) para fomentar a educação ecológica dos jovens e discutir a sustentabilidade do evento com vídeos e palestras sobre meio ambiente, água, biodiversidade, mudanças climáticas, energia sustentável, realidade amazônica; elaboração de um Guia Ecológico para jovens; projeto ousado de acessibilidade para os jovens com deficiência (visual, auditiva, intelectual e motora); inauguração do Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI), que atenderá principalmente jovens dependentes químicos; estruturação de uma rede de entidades religiosas e civis para atuar na prevenção ao uso de drogas e tratamento de dependentes; significativos investimentos com a segurança e a infraestrutura que beneficiarão a população após o evento; geração de empregos.
E em nossa realidade paroquial, quais os impactos que a JMJ está deixando? Como estamos aproveitando de toda esta oportunidade para a evangelização da juventude? Que serviços nossas paróquias estão prestando para o amadurecimento da dimensão social do jovem cristão que deseja participar mais da vida da Igreja e da Sociedade? Nossos grupos, catequese, encontros, retiros, movimentos, pastorais estão atentas às buscas e desafios dos jovens, abordando junto a eles os temas que dizem respeito a sua vida cotidiana e social? A Doutrina Social da Igreja é trabalhada junto a eles favorecendo-lhes conteúdo substancioso e seguro para o diálogo e participação na sociedade? Como garantir aos jovens envolvidos na JMJ um ambiente paroquial que realmente contribua com o amadurecimento da dimensão pessoal, espiritual, eclesial, social de sua vocação cristã?
Como é bom constatar que muitos jovens católicos, de nossas paróquias, estão despertando para a importância e o prazer de serem verdadeiros cidadãos; colaboradores especiais de uma nova sociedade. Um jovem católico de 23 anos que estará no Rio de Janeiro para a JMJ me disse, após participar das recentes manifestações: “Estou emocionado com este momento de manifestação da nossa juventude nas ruas! Sinto-me cidadão lutando pelos direitos das pessoas! A JMJ veio em boa hora, reforçando e abençoando as nossas reivindicações. Além do mais, o papa Francisco nos brindará com reflexões de apoio a nossa voz.”
Queridos irmãos, vamos apostar no novo que os jovens carregam para o benefício de todos. A JMJ vem incrementar os ideais cristãos e animar a vocação de discípulo missionário de nossos jovens. Não percamos este tempo de graça que a Jornada vem nos trazer. Qualifiquemos a nossa presença e o nosso serviço junto a eles.
Divulguemos, principalmente pelas redes sociais com a ajuda dos próprios jovens presentes nelas, os horários dos eventos da Jornada naquela semana do dia 23 a 28 de julho, para que os que não poderão se fazer presentes possam estar sintonizados com este importante acontecimento a favor da juventude, da Igreja e da sociedade. E promovamos uma verdadeira corrente de oração para que tudo transcorra do jeito que Deus deseja e para que nenhum imprevisto comprometa negativamente a organização do evento.
Apostar nos jovens, com tudo aquilo que implica esta postura, é compromisso audacioso e gesto profundo de conversão pastoral.
Bênçãos de Deus a todos e proteção materna de Maria, Mãe da Juventude.
E até o Rio de Janeiro!

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

domingo, 2 de junho de 2013

Dom Eduardo propõe realização de Planos Paroquiais de Evangelização da Juventude

Brasília, 01 de junho de 2013.

Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
“Darei aos sacerdotes o poder de tocar os corações mais endurecidos” (11ª. Promessa do Sagrado Coração de Jesus). 
Entramos no mês que antecede a tão esperada JMJ Rio 2013. Os corações estão acelerados e os trabalhos de preparação cuidadosamente encaminhados para garantir que este acontecimento, que já tem proporcionado muitos frutos pelo Brasil afora, principalmente devido à Peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora, marque ainda mais a vida de nossos jovens e provoque significativas transformações na proposta pedagógico-pastoral da Igreja junto a eles.
Enquanto muitos jovens de sua paróquia estão se organizando, convido-os a pensar seriamente no processo de evangelização da juventude local impulsionada por este momento. Precisamos acolher com sabedoria e gratidão este presente que Deus está nos concedendo. Há um dinamismo próprio deste acontecimento que tem atraído muitos jovens e oferecido a nós uma singular oportunidade para organizar melhor nossa presença no meio deles. O reconhecimento das frentes já existentes, o fortalecimento das estruturas e projetos que já estão dando certo, a criação de outras iniciativas e a organização de tudo isto num plano de evangelização paroquial poderão garantir um novo tempo em nossos ambientes eclesiais.
Se ainda não o fizeram, convido-os, antes da JMJ ou imediatamente após a sua realização, a:
  • fazerem um levantamento das expressões juvenis que já existem em seu território e contribuem com a evangelização: pastorais da juventude, movimentos eclesiais, novas comunidades, iniciativas juvenis ligadas às Congregações Religiosas, catequese de crisma, grupos de jovens, grupos de adolescentes, pastorais e serviços que, de uma forma ou outra, têm como foco o mundo juvenil (Pastoral Familiar, Pastoral da Educação, Juventude Missionária, Pastoral Vocacional, etc.);
  • promoverem um encontro com as lideranças destas expressões e refletirem juntos a realidade juvenil paroquial: conquistas, lacunas, limitações, desafios;
  • renovarem a opção pelo ministério da assessoria da juventude em sua paróquia, descobrindo novos assessores e capacitando a todos;
  • acompanharem mais de perto a proposta evangelizadora de cada expressão juvenil auxiliando-a na acolhida das orientações da Igreja em suas prioridades e serviços;
  • descobrirem os novos areópagos juvenis; novas praças de vivência e de encontro das juventudes, além de nossos ambientes eclesiais, para as quais a sua paróquia é convidada a se voltar, participar, atender, animar, evangelizar, transformar.
Se em sua paróquia já existe o hábito de se realizar anualmente este momento organizativo, parabéns! Se não, porque não assumir isto como um dos belos frutos da Jornada? Acredito que uma das melhores maneiras de aproveitarmos de toda esta graça divina favorecida pela JMJ Rio 2013 seria a organização, até o final do ano, de um Plano Paroquial de Evangelização da Juventude. Com ele estaremos não somente agradecendo concretamente a Deus por este acontecimento, mas efetivando nossa opção pelos jovens com análise da realidade, renovação dos princípios teológico-pastorais, determinação de metas, provocação missionária, investimento material e humano.
Para estar com os jovens é preciso apaixonar-se por eles. Antes de tudo é necessário“resgatar no coração de todos a paixão pela juventude” (CNBB, Doc 85, n. 205). Em minhas orações de junho, confio-os ao Sagrado Coração de Jesus. Que ao sentirem pulsar em seu interior o amor incondicional do Senhor, cresça em sua pastoral o ardor juvenil e transborde na vida de sua comunidade esta Força da qual nascemos, pela qual nos movemos, para a qual caminhamos, da qual somos portadores aos jovens.
Com estima,
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Maio/2013: “O ‘mês da Mãe’ é também o mês dos filhos!”




Brasília, 01 de maio de 2013.
Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
“De agora em diante, juntamente com a Cruz, este Ícone de Maria acompanhará
as Jornadas Mundiais da Juventude. Será sinal da presença materna de Maria junto aos jovens, chamados, como o Apóstolo São João, a acolhê-la em sua vida” (João Paulo II, 13/04/2003) 

Com estas palavras acima recordamos o significativo gesto de nosso Papa que, há exatamente dez anos, presenteou-nos com o Ícone de Nossa Senhora para percorrer, aos pés da Cruz, os inúmeros corações jovens espalhados pelo mundo. Não há o Filho sem a Mãe, nem a Mãe sem o Filho! Por onde o Filho passa a Mãe se faz presente; por onde a Mãe é invocada o Filho é anunciado!
No final do mês passado, a Cruz e o Ícone foram entregues ao último Estado pelo qual irão passar nesta reta final em vista da tão esperada JMJ Rio 2013. E isto aconteceu aos pés de Nossa Senhora, sob suas bênçãos, em seu Santuário de Aparecida. Com grandes expectativas, ansiedades, alegrias e preocupações, nada melhor do que o coração da Mãe para nos orientar e acalmar.
Neste “Ano da Juventude” contemplamos o Mês de Maio em sua riqueza de comemorações, todas elas instrumentos privilegiados para a evangelização da juventude. Como temos apresentado Maria aos jovens e os jovens a Maria? Esta aproximação e intimidade encontram seu espaço privilegiado na vida da Comunidade, com suas inúmeras atividades e celebrações.
Falou de “mãe”, falou de família! Maio se inicia com a festa de São José (1), o pai adotivo de Jesus, e se encerra com a festa da Visitação de Nossa Senhora (31). O “Dia das Mães” (12) e as festas de N. Sra. de Fátima (13) e de N. Sra. Auxiliadora (24) nos remetem ao amor incondicional a que somos chamados a experimentar, testemunhar e anunciar. Estas duas memórias marianas nos falam do cuidado com os pequeninos e indefesos: Maria apareceu aos pastorzinhos em Fátima; a devoção à Auxiliadora foi propagada por Dom Bosco para que as crianças e os jovens, principalmente os abandonados, fizessem a experiência primordial de serem amados por uma Mãe que jamais os deixaria.
Quantos adolescentes e jovens de nossa sociedade e Igreja sofrem uma carência afetiva, aguardando o nosso aconchego! A dimensão materna em nossas relações e ações é primordial para a formação integral destes pequeninos. Não basta amar os jovens; é preciso que eles percebam que são amados! Um amor feito de presença, palavras, orações, serviço, testemunho! Um amor educativo e evangelizador nos meios das novas gerações. Um amor materno que se incomoda com a fome e as dores físicas e espirituais de seus filhos! Um amor que não mede esforços para resgatar vidas, defender o valor da família, combater as drogas e a morte, gritar contra o aborto e toda forma de extermínio! Um amor que não se conforma com a violência aos jovens em nosso país… inclusive ao redor de nossas paróquias! Um amor que não aceita a ideologia da redução da maioridade penal como pretexto para se diminuir a violência numa sociedade ainda injusta que, ao condenar os menores infratores e não oferecer propostas educativas realmente restauradoras, não se lembra que eles são, antes de tudo, seus filhos… seus frutos!
Por isso, o “mês da Mãe” é também o mês dos filhos! O coração da Mãe é moldado cuidadosamente segundo os traços do coração de Deus! Quer saber quem é Deus e o que Ele faz? O que sente, o que pensa, o que espera? Observe, então, uma mãe e se deixe inundar pela sua vida de fé, de oração, de serviço, de silêncio, de fidelidade, de presença, de luta, de perseverança, de resiliência!
A Igreja, como Mãe, nos ajuda a viver esta imprescindível maternidade em tempos de grandes mudanças. Neste mês, Ela mostra aos nossos jovens o quanto os ama por meio, também, das importantes festas litúrgicas: Ascensão (12), Pentecostes (19), Santíssima Trindade (26), Corpus Christi (30). Além disso, ao recordarmos a vocação dos Apóstolos Filipe (3), Tiago Menor (3), Matias (14) e alguns santos de nossa história – São Domingos Sávio (6), Santa Rita de Cássia (22), São Filipe Neri (26) – nos questionamos sobre a nossa vocação e a nossa proposta de vida aos adolescentes e jovens.
Queridos irmãos párocos e demais amantes da causa juvenil: deixem sempre o Espírito Santo massagear seus corações para que, a exemplo de Maria e sob sua proteção, sua vida seja sempre um testemunho alegre de entrega a Deus e de serviço aos irmãos. Vocês não imaginam o impacto e a força das pequenas coisas e gestos que realizam cotidianamente na vida dos jovens que os rodeiam!
Cantemos, juntos e com Maria: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”! Sob sua proteção e intercessão, vivamos intensamente e com produtividade estes momentos preciosos que a nossa Igreja está proporcionando à pastoral juvenil em nosso país.
Mesmo distantes, abracemo-nos como irmãos, sob os olhares e ao redor Daquela, cuja comemoração neste mês muito nos alegra!
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Abril/2013: “Jesus disse: Alegrai-vos!”


Feliz Páscoa, caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
“Jesus disse: Alegrai-vos!” (Jo 28, 9)

Neste mês de abril teremos todo ele permeado das alegrias da Páscoa! Ou somos pessoas de Páscoa ou não somos nem mesmo cristãos! A ótica da Ressurreição deve perpassar tudo: a vida pessoal e comunitária, os sonhos e sentimentos, os projetos pastorais e os ambientes nos quais trabalhamos. Carregamos, como educadores e evangelizadores dos jovens, uma responsabilidade muito grande de testemunhar a eles a nossa plena convicção e realização no Cristo!
Passado o precioso tempo quaresmal no qual tivemos a oportunidade de refletir com a Campanha da Fraternidade sobre a juventude, agora somos convidados a rever e refazer as propostas pastorais para que sejam mais de acordo com a opção preferencial pelos jovens. Então,
-  quais novos projetos estão sendo criados em sua paróquia a partir da CF e à luz da JMJ?
-  sua paróquia já elaborou um Plano de Evangelização da Juventude?
-  as estruturas, as organizações e os adultos estão mais sensibilizados pela juventude?
- em quais espaços de decisão da vida paroquial os jovens estão presentes efetivamente?
- como a catequese de crisma tem abordado, por exemplo, assuntos relacionados às vocações e projeto de vida, à afetividade e sexualidade, à sensibilidade diante dos mais pobres e iniciativas de voluntariado, à internet e relacionamentos midiáticos, ao álcool e drogas?
A Peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora têm nos mostrado os jovens entusiasmados por Cristo e pela Igreja. Onde a eles são proporcionadas motivações profundas e ocasiões juvenis criativas, ali eles se sentem cativados e comprometidos.
Estamos às portas da Jornada Mundial da Juventude no Brasil. Aproveitemos deste rico momento para incrementar as ações paroquiais junto aos jovens. Promovamos encontros periódicos formativos e espirituais com aqueles que se preparam para tal evento. Que tal uma Adoração Eucarística ou Vigília mensal? Ou uma Celebração da Palavra com momento de estudos? Há muitas iniciativas positivas espalhadas pelo país! Preparemos com intensidade a Semana Missionária que acontecerá em todas as dioceses do Brasil dos dias 16 a 20 de julho. E criemos atividades paroquiais ou diocesanas dos dias 23 a 28 de julho para aqueles jovens que não poderão participar da JMJ no Rio.
Damos graças a Deus pela nomeação de nosso querido Papa Francisco que já tem conquistado o coração de todos! No Domingo de Ramos – Dia Mundial da Juventude – ele declarou sua expectativa para o encontro conosco na JMJ Rio 2013, dizendo: “Já estamos perto da próxima etapa desta grande peregrinação da Cruz. Olho com alegria o próximo mês de Julho, no Rio de Janeiro. [...] Preparem-se bem, sobretudo espiritualmente em suas comunidades para que aquele encontro seja um sinal de fé para o mundo inteiro. Os jovens devem dizer ao mundo: é bom seguir a Jesus; é bom caminhar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de si mesmo para as periferias do mundo e da existência para levar Jesus”.
A sua bênção, querido Pastor, Papa Francisco! Nós o aguardamos de coração aquecido, de ouvidos abertos, de olhos emocionados, de mãos dispostas a colaborar com a missão da Igreja para os novos tempos! Seja bem-vindo ao calor desta juventude que o ama!
Que a força do Ressuscitado encha nossas comunidades paroquiais de colorido novo e juvenil e que não percamos este momento favorável à vida e à vocação de nossos jovens. O Espírito Santo quer este novo e a juventude está nos comunicando fortemente que está disposta a fazer mais! Resta saber se nossas comunidades paroquiais estão acolhendo este kairós!
A Mãe Aparecida nos ensine, novamente, como ouvir o chamado do Pai, carregar o seu Filho em nossa existência, abrir-nos ao novo do Espírito que muito nos fala pela vida e pela voz dos jovens.

Grande abraço, na paz do Ressuscitado.

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNB

sexta-feira, 1 de março de 2013

Carta de março de Dom Eduardo ao padres de todo Brasil



Brasília, 01 de março de 2013.
CJ – Nº 0082/13
Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
“correu ao encontro do filho mais novo, abraçou-o e cobriu-o de beijos” (cf Lc 15, 20)

Esperançoso de que os jovens estejam encontrando cada vez mais abraços calorosos em nossas paróquias, dirijo-me aos senhores, renovando minha estima e agradecimento por aquilo tudo que já têm investido na evangelização da juventude, principalmente neste ano a ela dedicado.
Entramos em um mês pleno de motivações cristãs e atividades. É março: Quaresma, Semana Santa, Páscoa, Campanha da Fraternidade, Conclave e, provavelmente, anúncio de nosso novo Papa. Que preciosas ocasiões para o crescimento da fé, a maior adesão à vida comunitária, o compromisso com a construção do Reino! Como envolver ainda mais nossos jovens neste clima?
O ambiente eclesial paroquial é o lugar privilegiado para se viver e aprofundar a Quaresma. Ele é capaz de transformar e animar o coração dos jovens quando estes encontra
m motivações suficientes e atraentes. Quantas mudanças observamos na juventude quando ela se sente contemplada e valorizada, quando envolvida nas diversas celebrações e atividades, muitas delas já com cara da juventude, como, por exemplo, as famosas vias-sacras da Sexta-Feira Santa. Como nossas comunidades poderiam manifestar sua alegria pascal pela presença do Ressuscitado na vida dos jovens que Deus nos confia para ouvir, amar e servir? Não basta que os jovens sejam considerados em nossos discursos e papéis; eles precisam perceber que são amados de verdade. A Campanha da Fraternidade 2013 é um grande clamor para este resgate da vida e do protagonismo dos jovens em prol de nossas comunidades e sociedade. Sua paróquia já definiu ações bem concretas e transformadoras para os jovens e com eles?
Vivemos um momento muito delicado e enriquecedor! A renúncia de Bento XVI e o processo de nomeação do próximo papa devem nos tocar a fundo, fortalecer nosso amor à Igreja, comprometer-nos ainda mais na vivência de nosso batismo e numa especial corrente de oração. Como nossas paróquias estão valorizando este momento de eclesialidade e aproveitando dele para o fortalecimento da vida e da fé de nossos jovens? A Jornada Mundial da Juventude que nasceu no coração de João Paulo II e foi tão bem acolhida e incentivada por Bento XVI terá, seguramente, em nosso novo Papa a sua total adesão e incremento! Desde já nos alegramos pela sua presença na JMJ Rio 2013 daqui cinco meses!
Sabemos que a Ressurreição de Jesus Cristo impacta a história da humanidade, minando a força da morte e potencializando a vida! A juventude é peça fundamental para os novos tempos. A Igreja precisa dos jovens para sua adequada “conversão pastoral” e, com eles, favorecer vida nova ao povo.nto e o divulguem entre os líderes responsáveis pela evangelização, formação e educação da juventude.
Maria, que com sua obediência a Deus e maternidade assumida acompanhou seu filho em todos os momentos até a Cruz, nos ensine e nos fortaleça nesta delicada missão de acompanhar TODOS os jovens em suas vivências de cruz e ressurreição. A todos os senhores: proveitosa Quaresma, frutuosa Campanha da Fraternidade, FELIZ PÁSCOA!
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB
Fonte: Jovens Conectados

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fevereiro/2013: “Eis-me aqui, envia-me!”


Dom Eduardo Pinheiro
Brasília, 01 de fevereiro de 2013.
CJ – Nº 0026/13
Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais,
Vigários Paroquiais e demais Presbíteros
 “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8)
Emocionados e abalados pelo trágico acontecimento em Santa Maria, nos perguntamos, também, se, realmente, nossas estruturas e instituições, eclesiais ou sociais, têm garantido condições suficientes de vida digna e propostas pedagógico-pastorais a favor da vida dos nossos jovens. A celebração da CF 2013, que estamos para iniciar, quer ser uma rica oportunidade para discutirmos este assunto e encontrarmos novos caminhos. Justamente no Jubileu de Ouro da existência da CF em nossa Igreja e após 20 anos da primeira CF sobre juventude (1992) voltamos a proclamar a todos esta prioridade em nossa dinâmica de evangelização.
Em sua missão de educadora e canal da Graça divina, a Igreja quer dar novo significado a sua presença no meio das novas gerações, considerando sua realidade e favorecendo reflexões, projetos e mecanismos que contribuam com sua vida e participação na construção do Reino.  Portanto, não vamos reduzir a CF a encontros e palestras “para” jovens, nem a cartazes fixados nas paredes, hino cantado nas missas, coleta feita no último domingo da Quaresma! Isto tudo é muito importante, mas não basta! Provoquemos ocasiões qualificadas de estudo deste bonito e desafiador tema! Façamos o exercício de escutar os jovens e a sua realidade, apresentada por eles mesmos! Debrucemo-nos em nossos projetos pastorais, organizações e estruturas eclesiais em vista de mudanças a partir dos jovens!
A CF 2013 tem um objetivo claro: “acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz” (CF 2013, n. 4). Na evangelização da juventude, precisamos sempre adequar os espaços juvenis; qualificar nossa proposta formativo-evangelizadora (catequese, encontros, retiros, palestras, celebrações, subsídios, reuniões), cuidar da escolha e capacitação dosresponsáveis diretos pela evangelização da juventude. Aproveitemos deste clima favorável da CF 2013!
A jovialidade da nossa Igreja passa pelo reconhecimento do valor e do significado que têm as novas gerações para os tempos atuais. A perene novidade, que vem de Deus e é condição imprescindível para o desenvolvimento da História da Salvação, encontra nos jovens a sua expressão, o seu olhar, o seu ardor, a sua voz… o seu coração. Deus tem sempre “novidades” para nós e quis contar com os jovens para que pudéssemos conhecer e experimentar aquilo tudo que preenche a existência e alegra o espírito!
Rezemos mais pela juventude que Deus nos confia para amar e servir! E rezemos “com” ela! Nosso testemunho contribuirá com sua convicção de que sem uma forte espiritualidade não se pode experimentar toda a beleza da vida nem entender todo o seu valor. Continuemos rezando por aqueles jovens, familiares e amigos que vivenciaram o drama de Santa Maria e por tantos outros espalhados pelo país vitimados por inúmeras formas de violência. Unamos nossas preces a favor do Filipe, um jovem engajado na diocese de Ponta Grossa e responsável pela arrecadação de recursos  para participação de sua comunidade na JMJ. Nesse final de semana pude visitá-lo na Santa Casa, onde está internado vítima de assalto e vem testemunhando fé e paciência no aguardo de sua saúde completa. Prometi a ele que pediria aos senhores e aos seus jovens uma corrente de oração pelo sucesso do tratamento e procedimentos.
A maternidade de Maria nos eduque na sensibilidade diante do sofrimento de nossos jovens e nos conceda administrar nossos esforços e organizações a favor de sua vida. Que o seu colo refaça nossas energias e nos anime na continuidade de nosso pastoreio no meio dos jovens.
 

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB